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Ocupando uma área de 2,036 milhões de quilômetros, o que equivale a 22% do território nacional, o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, atrás apenas da Amazônia. Caracterizado por uma vegetação de savana, com campos e bosques caracterizados por vegetação rasteira e árvores com galhos retorcidos e folhas grossas, o bioma concentra 5% da biodiversidade do planeta.

Toda essa diversidade, porém, está ameaçada. Atualmente, 48% de seu território original foi derrubado. Por estar localizado, em grande parte, em uma região plana e com um solo que é facilmente tratado, a região do Cerrado é propícia à agropecuária, o que está ameaçando a sua existência.

Riquezas

O Cerrado é composto por uma grande área contínua e por "ilhas" menores. A área principal abrange os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo, além do Distrito Federal. Além disso, há os bolsões do Cerrado no Amapá, em Roraima e no Amazonas.

Dentro do Cerrado estão as nascentes de alguns dos principais rios das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul: Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. Rios como o São Francisco, Araguaia, Xingu, Tocantins, além daqueles que abastecem o Pantanal nascem no bioma, que é considerado a savana mais rica do planeta em biodiversidade.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, foram catalogadas na região cerca de 200 espécies de mamíferos, 837 de aves, 1200 de peixes, 180 de répteis e 200 de anfíbios. Além disso, a região tem catalogadas 11 mil espécies vegetais. Essas espécies têm grande importância. Estudos indicam que pelo menos 220 plantas têm uso medicinal, além de dez espécies de frutos utilizadas para consumo humano, como o pequi, buriti e a mangaba, entre outros.

Frederico Neves, professor da Pós Graduação em Ecologia da Universidade Federal de Minas (UFMG), explica que essa biodiversidade do Cerrado tem uma grande importância nos chamados serviços ecossistêmicos da região. Ele explica que animais da região, como insetos e aves, ao se alimentarem de pólen e frutas ajudam a espalhar as sementes das plantas.

Não só o meio ambiente, mas também milhões de pessoas se beneficiam do Cerrado. Grupos indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiros, vazanteiros que ajudam a preservar o patrimônio histórico e cultural brasileiro. Fazendas e cidades localizados dentro do bioma dependem dos rios da região, cada vez mais ameaçados pelo assoreamento e deslizamentos de terra nas proximidades das nascentes.

Diversidade ameaçada

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Cerrado abriga aproximadamente 4,4 mil espécies de plantas endêmicas - isso é, que existem apenas em regiões específicas. Além disso, há 19 espécies de mamíferos, 45 de anfíbios e 45 de répteis que só ocorrem no bioma.

Essas espécies estão ameaçadas pelo avanço cada vez maior da agropecuária. Com um terreno plano e um solo facilmente tratável, para aumentar a fertilidade, cerca de 48% do Cerrado foi derrubado abrindo espaço para fazendas. A situação se agravou a partir da década de 1950, com a construção de Brasília. Novas estradas foram construídas na região Centro-Oeste do país, facilitando uma maior ocupação das terras. Laerte Guimarães Ferreira, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca que a terra no Cerrado é barata e de fácil acesso.

Isso tem contribuído para um desmatamento cada vez maior da região. "Só no período entre 2011 e 2012, vimos que uma área de 7 mil quilômetros quadrados foi desmatada. Em comparação com anos anteriores, o período entre 2010 e 2012 registrou mais do que o dobro do desmatamento", comenta.

Através de órgãos como o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, o Governo desenvolveu projetos de preservação do Cerrado. Foram realizados programas junto a fazendeiros da região, através dos quais eles eram conscientizados sobre a importância do Cerrado. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente destacou 431 áreas do Cerrado como áreas de alta prioridade de preservação. Atualmente, apenas 181 áreas - grande parte terras indígenas - são protegidas.  O objetivo é que toda essa área seja preservada, evitando o avanço agrícola.

Laerte critica a execução do  projeto. "O Cerrado ainda é pouco protegido em termos de áreas de conservação. As poucas áreas não são protegidas". Ele destaca que a maior demanda por biocombustíveis pode agravar a situação do bioma se nada for feito. "Quando se pensa no cenário de maior demanda por cana de açúcar, o Cerrado é tido onde a expansão vai acontecer", argumenta.

 

Fonte: Globo Ecologia

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